Artista pernambucano apresenta trabalhos inéditos em diálogo com obras de sua coleção pessoal
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| Dois satélites, Macaparana, 2017 |
Como
o trabalho de um artista é influenciado ou mesmo inspirado por seus
pares mais próximos, com quem mantém relações profissionais e de
amizade? Foi este questionamento que motivou Afinidades,
exposição individual do artista Macaparana, que o Museu Lasar Segall
recebe entre 9 de junho e 6 de agosto. Com curadoria de Franck-James
Marlot, a mostra reúne trabalhos do pernambucano reconhecido por uma
obra que une o rigor geométrico e a informalidade da abstração, e
apresenta ainda um recorte de sua coleção pessoal.
"A
exposição propõe uma quebra na carreira do artista: um momento
particular quando somos convidados a questionar certas transmissões. Não
só o que um artista transmite a outro artista, mas também o que o
artista transmite ao mundo", pontua Marlot.
O
público poderá conferir uma seleção de 15 obras inéditas de Macaparana.
São pinturas, desenhos, colagens e recortes sobre cartão que,
combinados uns aos outros, formam um conjunto coeso e uniforme, ao mesmo
tempo que diverso. Reflexo de influências várias. O artista apresenta
ainda preciosidades de seu acervo particular, onde figuram trabalhos de
nomes como Josef Albers, Jean Arp, Max Bill, Hércules Barsotti e
Willys de Castro, além de cerâmicas pré-colombianas.
Ao
reunir esse conjunto, a exposição propõe ao observador um convite para a
reflexão sobre a noção de transferência artística e também para a
criação de narrativas a partir das semelhanças – ou não – entre os
trabalhos do pernambucano com os daqueles que o cercaram e,
naturalmente, o inspiraram.
"Não
se trata exatamente de uma homenagem calculada, racional. Esses
trabalhos não surgiram como releituras de obras que tenho em casa,
presentes de artistas com quem convivi", afirma Macaparana. "Quando você
vive todos os dias tão próximo a uma obra de arte que ama tanto, é
quase inevitável que ela apareça em sua própria produção. Influência e
afinidades sempre foram uma coisa natural e bela entre artistas",
completa.
Sobre o artista
José
de Souza Oliveira Filho nasceu em 1952, em Macaparana, cidade a cerca
de 120 quilômetros de Recife, Pernambuco. Protagonista de uma das
trajetórias mais notáveis da arte brasileira da segunda metade do
século 20, foi autodidata, aprendendo a desenhar e a pintar com
lápis e papel, em um período de convalescença durante a infância. Aos 18
anos de idade, expõe pela primeira vez, na galeria da Empresa de
Turismo de Pernambuco (Empetur), na capital do Estado.
Em
1972, realiza sua primeira individual no Rio de Janeiro, cidade onde
passa a viver. Na capital fluminense, Macaparana convive com os maiores
nomes do neoconcretismo brasileiro, como Lygia Clark (1920 - 1988),
Lygia Pape (1927 - 2004), Amilcar de Castro (1920 - 2002) e o poeta e
crítico de arte Ferreira Gullar (1930 -2016).
A
mudança para São Paulo no ano seguinte vem acompanhada por um
ponto de virada em sua trajetória – que entra em ascensão –, e em sua
obra, com o abandono da pintura figurativa e a adoção do abstracionismo
geométrico. Na cidade – onde vive até hoje –, conhece e se aproxima dos
artistas Antônio Maluf (1926 - 2005), Willys de Castro (1926 - 1988) e
Hércules Barsotti (1914 - 2010).
É
também na capital paulista que tem, pela primeira vez, contato com a
obra do uruguaio Joaquín Torres-García (1874-1949), cujos trabalhos lhe
remetem à infância em Macaparana. "Todos os elementos e símbolos eram
muito familiares para mim. Foi uma experiência tão forte que comecei a
trabalhar com cores, elementos e formas parecidos porque me sentia
tão confortável e conectado ao universo desse uruguaio, que parecia
muito natural", afirma.
No
final da década, em 1979, o artista realiza sua primeira individual no
Museu de Arte de São Paulo (MASP). Nesta ocasião, tem seu nome trocado
pelo de sua cidade natal no convite da exposição – uma brincadeira de
Pietro Maria Bardi, fundador e diretor do museu e seu amigo próximo. A
partir de então, todos o chamariam assim.
Em
1991, expõe na 21ª Bienal de São Paulo e apresenta uma nova individual
no MASP. Três anos depois, expõe na Pinacoteca do Estado de São
Paulo, também em uma mostra somente sua. No exterior, já realizou
mostras individuais na Galeria Cayón, de Madrid (2009); na Galeria Jorge
Mara, de Buenos Aires (2010) e na Galeria Denise René, de Paris (2011 e
2016). No Brasil, é representado pela Dan Galeria, de São Paulo. Em
outubro deste ano, realizará uma exposição sua na Galería A34, de
Barcelona.
Afinidades, individual de MacaparanaAbertura: 9 de junho (sábado), das 11h às 19h
Período expositivo: de 9 de junho a 6 de agosto
Local: Museu Lasar Segall
Endereço: Rua Berta 111 | São Paulo | SP | CEP 04120-040
Tel 11 2159 0400
Aberto de quarta à segunda-feira das 11h00 às 19h00
Café | Wi-Fi | Fraldário | Bicicletário
Período expositivo: de 9 de junho a 6 de agosto
Local: Museu Lasar Segall
Endereço: Rua Berta 111 | São Paulo | SP | CEP 04120-040
Tel 11 2159 0400
Aberto de quarta à segunda-feira das 11h00 às 19h00
Café | Wi-Fi | Fraldário | Bicicletário
Entrada gratuita
A4&Holofote

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