Com obras em diversas linguagens, a mostra individual Rés do chão apresenta pela primeira vez ao público um panorama da produção mais recente do artista
![]() |
| Jardins Suspensos, 2015, Lucas Dupin |
Tomar
o prosaico como régua para a aferição daquilo que nos rodeia. Partir do
banal para tratar de temas universais e enxergar o mundo pelos
olhos daqueles que andam pelas ruas das cidades. É esse o pano de fundo
de Rés do chão, mostra que o artista multidisciplinar Lucas
Dupin apresenta na Galeria Lume entre 16 de junho e 21 de julho. Em São
Paulo, ele apresenta um panorama de sua produção mais recente. São oito
trabalhos, entre vídeo, instalação e séries de aquarelas e fotografias,
todos concebidos pelo artista entre 2010 e 2018, a maior parte deles
ainda inédito.
Trata-se
da primeira exposição individual realizada em uma galeria paulistana
pelo mineiro, vencedor de importantes prêmios de arte contemporânea,
promovidos por instituições como o Instituto Tomie Ohtake, a Fundação
Nacional das Artes (Funarte) e a Fundação Armando Álvares Penteado
(FAAP).
"Quando
comecei a pensar nessa exposição, notei que muitos dos trabalhos
selecionados têm em comum a perspectiva daquilo que nos é corriqueiro,
do que está ao rés do chão e que, muitas vezes, nos passa despercebido. A
meu ver, toda a exposição chama a atenção justamente porque parte da
observação de elementos banais para apontar em direção a uma
singularidade até então não imaginada", afirma Dupin.
A instalação Jardins suspensos,
por exemplo, traz uma série de fragmentos de calçadas de pedras
portuguesas, algumas delas imbuídas de vida, pois carregam minúsculos
jardins nos vãos entre uma pedra e outra. Na galeria, elas deixam o
chão, se espalham pelo ar e, penduradas por imperceptíveis fios de
nylon, tomam parte do espaço expositivo.
As
pedras de formato retangular, tão comuns aos passeios de países
lusófonos, também aparecem na série 'Equivalências' - registros
fotográficos de uma performance realizada por Dupin em 2017, enquanto
participava de uma residência artística da FAAP, instalada no
centro de São Paulo.
Em
um dos trabalhos, o artista retira uma única pedra da calçada e a cobre
com uma folha de ouro, para então devolvê-la ao seu lugar de origem. Em
outra obra, substitui um pequeno fragmento por um pedaço de carne do
mesmo tamanho. "Esta série é sem dúvida um forte comentário ao nosso
passado colonial e à memória implícita que essas calçadas carregam.",
pontua.
Dupin
também apresenta ao público um vídeo inédito, o registro audiovisual de
uma performance executada no último ano. Nele, o artista se posiciona
em um canto da Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, e pouco a
pouco, passa a alimentar os pombos que estão por ali. Quando rodeado
por dezenas deles, estoura uma bomba e os assiste partir em polvorosa
para, dali algum tempo, retornarem a ele em busca de mais alimento. Tão
político quanto poético, o vídeo faz referência àqueles que vivem à
margem do poder público e da sociedade, nos calçadões do centro daquela
que é tida como a maior e mais importante cidade da América Latina.
No mais antigo dos trabalhos apresentados, Bitucas,
o artista traz dezenas de aquarelas onde reproduz, de modo
realista, inúmeras bitucas de cigarro encontradas pelos caminhos
por onde passa. Em um jogo simbólico, o artista faz uso de uma das mais
complexas e refinadas técnicas da pintura para retratar algo um tanto
ordinário, descartes encontrados a cada esquina.
Sobre o artistaNascido
em Belo Horizonte (MG), em 1985, Lucas Dupin é mestre (2012) e bacharel
(2008) em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Já
participou de exposições e residências artísticas no Brasil e no
exterior. Sua pesquisa volta-se a diferentes linguagens, como
fotografia, desenho, instalação e vídeo.
Dupin
tem interesse especial pelo universo do livro, da palavra escrita e na
forma como a passagem do tempo se inscreve nas coisas. O artista recebeu
diversos prêmios, como o Prêmio de Arte Contemporânea da FUNARTE, 6º
Bolsa Pampulha, Prêmio de Residências Artísticas da FAAP e da FUNDAJ e,
em anos anteriores, destacam-se o Prêmio Interações Florestais em Terra
UNA e o 2º Prêmio Energias na Arte no Instituto Tomie Ohtake, no qual
recebeu a primeira colocação.
Serviço:Rés do chão, individual de Lucas DupinLocal: Galeria LumeAbertura: 16 de junho, sábado, das 13h às 17hPeríodo expositivo: de 18 de junho a 21 de julhoEndereço: Rua Gumercindo Saraiva, 54 - Jardim Europa, São PauloVisitação: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h | sábados, das 11h às 15hTelefone: (11) 4883-0351Mais informações: http://www.lucasdupin.com.br/
A4&Holofote

Postar um comentário