Centro Cultural UFMG convida para a abertura
da exposição coletiva “Do caminhar às memórias do espaço”,
dos artistas Camila Versiani, Igor Isoni, Júlia Abdalla e Wander Rocha,
na sexta-feira, dia 05 de abril de 2019, às 19 horas. A mostra é constituída
por obras que percorrem pelo processo da gravura - desde os cadernos de
desenho, as ferramentas, as placas de cobre e as gravuras em si - e poderá
ser vista até o dia 12 de maio de 2019. Entrada gratuita.
"A arquitetura é tudo. A cidade e os objetos, o grande e o pequeno, cenários históricos e cenas íntimas. Todas as coisas em torno, rearticuladas em novos contextos segundo a experiência, o imaginário e a memória (...)".
Nelson Brissac
Caminhando pelo livro "Paisagens Urbanas", de Nelson Brissac Peixoto, nos vemos diante do encarnar/germinar da construção das nossas paisagens. Imagens de espaços, imagens que permeiam entre o desarranjo do urbano, a fragmentação do tempo e do espaço, degradação, memórias, exterior, profusão de atmosfera, interior sigiloso. O esquecimento de corpos que se imergem nos vãos da cidade e permeiam no vago e mais uma vez no tempo. "A cidade passa a ser vista como uma rede de relações diacrônicas e sincrônicas, onde o lugar aparece como uma condensação de vários tempos [...] Fatos Urbanos primários - núcleos mais sólidos na malha urbana, nós estruturais de significação. Núcleos que funcionam como motivos construtivos. Reunidos, podem compor uma "imagem analógica da cidade".¹Estamos sempre cercados, temos a nossa volta, o tempo todo, a presença do lugar. Os cenários das nossas vivências se entremeiam em nós, viram marcos de afetos, transitoriedades ou agonias. Múltiplas sensações são experimentadas ao longo da nossa existência e constroem, como os tijolos dos nossos arredores, as nossas memórias. Dessa forma, quando são apresentados como o foco de uma imagem, trazem tudo isso embebido neles e se somam a muitos outros lugares, que trouxeram essas mesmas sensações ao espectador. Ele pode nunca ter estado lá. O lugar pode nem existir fisicamente, mas fomos deformados e construídos pelos ambientes aos quais passamos. E essas marcas, apesar de complexas, são universais. Os edifícios em ruínas se misturam às construções, aos fios de luz, aos muros e monumentos. Através da imagem podemos atravessar uma cidade inteira, ou cidades inteiras, que nem estão no mesmo país ou que nem foram imaginadas pela mesma pessoa. Ao apresentá-las em matérias bidimensionais, nós as destroçamos e remontamos e, somadas às topografias das placas da gravura, eles surgem como imagens únicas. "Mas, se a gravura é como acreditamos, uma intervenção essencial do homem no mundo, se a paisagem gravada é uma dominação rápida e impetuosa do universo, o gravador vai nos fornecer novos testes, testes de vontade. As paisagens gravadas são os testes da vontade enorme, da vontade que quer o mundo todo de um só golpe."²
"A arquitetura é tudo. A cidade e os objetos, o grande e o pequeno, cenários históricos e cenas íntimas. Todas as coisas em torno, rearticuladas em novos contextos segundo a experiência, o imaginário e a memória (...)".
Nelson Brissac
Caminhando pelo livro "Paisagens Urbanas", de Nelson Brissac Peixoto, nos vemos diante do encarnar/germinar da construção das nossas paisagens. Imagens de espaços, imagens que permeiam entre o desarranjo do urbano, a fragmentação do tempo e do espaço, degradação, memórias, exterior, profusão de atmosfera, interior sigiloso. O esquecimento de corpos que se imergem nos vãos da cidade e permeiam no vago e mais uma vez no tempo. "A cidade passa a ser vista como uma rede de relações diacrônicas e sincrônicas, onde o lugar aparece como uma condensação de vários tempos [...] Fatos Urbanos primários - núcleos mais sólidos na malha urbana, nós estruturais de significação. Núcleos que funcionam como motivos construtivos. Reunidos, podem compor uma "imagem analógica da cidade".¹Estamos sempre cercados, temos a nossa volta, o tempo todo, a presença do lugar. Os cenários das nossas vivências se entremeiam em nós, viram marcos de afetos, transitoriedades ou agonias. Múltiplas sensações são experimentadas ao longo da nossa existência e constroem, como os tijolos dos nossos arredores, as nossas memórias. Dessa forma, quando são apresentados como o foco de uma imagem, trazem tudo isso embebido neles e se somam a muitos outros lugares, que trouxeram essas mesmas sensações ao espectador. Ele pode nunca ter estado lá. O lugar pode nem existir fisicamente, mas fomos deformados e construídos pelos ambientes aos quais passamos. E essas marcas, apesar de complexas, são universais. Os edifícios em ruínas se misturam às construções, aos fios de luz, aos muros e monumentos. Através da imagem podemos atravessar uma cidade inteira, ou cidades inteiras, que nem estão no mesmo país ou que nem foram imaginadas pela mesma pessoa. Ao apresentá-las em matérias bidimensionais, nós as destroçamos e remontamos e, somadas às topografias das placas da gravura, eles surgem como imagens únicas. "Mas, se a gravura é como acreditamos, uma intervenção essencial do homem no mundo, se a paisagem gravada é uma dominação rápida e impetuosa do universo, o gravador vai nos fornecer novos testes, testes de vontade. As paisagens gravadas são os testes da vontade enorme, da vontade que quer o mundo todo de um só golpe."²
Texto do coletivo
¹ Nelson Brissac, Paisagens Urbanas, cit., p. 324
² Bachelard, Gaston, and José Américo Motta. Pessanha. O Direito De Sonhar. Rio De Janeiro: Bertrand Brasil, 1994. Print. cit., p.58.

Do caminhar às memórias do espaço reúne obras dos alunos Camila Versiani, Igor Isoni, Júlia Abdalla e Wander Rocha. O trabalho se movimenta na tentativa de reunir elementos de lugares que moldam o imaginário a partir do percorrer pelas reminiscências dos artistas.
Sobre os artistas
Um coletivo de alunos do curso de graduação em Artes Visuais, pela escola de Belas Artes da UFMG, que encontraram um tema em comum e exploram, à sua maneira, as múltiplas vertentes da paisagem: desde reflexões sobre o vazio e a presença das construções, ruínas e a persistência das memórias, o caos do urbano turvo e paisagens internas íntimas. Participaram juntos da exposição coletiva “Panorama da Gravura”, com a curadoria do professor George Rembrandt, no ano de 2018.
Exposição “Do caminhar às memórias do espaço”
Exposição coletiva de alunos da graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFMG
Abertura: 05 de abril de 2019 | às 19 horas
Visitação: até o dia 12/05/2019
Terças a sextas de 10h às 21h
Sábados e domingos de 10h às 18h
Sala Ana Horta
Entrada gratuita

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