Exposição reúne 54 trabalhos do artista fluminense, das mais variadas fases de seu percurso, de 1930 à década de 1980
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| Menina no carrossel, Milton Dacosta, 1961. Óleo sobre tela |
Com
curadoria de Denise Mattar, a mostra reúne 54 obras do artista
plástico, realizadas da década de 1930 até o fim de sua vida, nos anos
1980. Ao longo desse percurso, Dacosta não se deixou limitar por nenhuma
escola, assumindo influências diversas. "Sem dar importância a elogios
ou críticas o artista sempre seguiu o caminho que lhe interessava, da
figuração impressionista à metafísica, do cubismo à simetria da luz e da
forma concreta à sensualidade da curva", pontua a curadora.
Em
vida, o artista foi aclamado pelo público e também pela crítica.
Seu trabalho foi reconhecido pelos mais importantes nomes da
área, de Sérgio Milliet a Mário Pedrosa, de Samson Flexor a Waldemar
Cordeiro. Em 1955, o júri da III Bienal de São Paulo conferiu a ele o
prêmio de melhor pintor nacional.
Então
com 40 anos de idade, recebia o reconhecimento máximo de seu trabalho
em meio ao acirrado embate entre figuração e abstração que havia na
época. Dacosta era uma das raras unanimidades daquele contexto. Para
Denise Mattar, a aceitação de sua obra era resultado de um percurso
particular de um pintor excepcional, que sabia estabelecer diálogos com
as obras de artistas que o interessavam e manter-se, ainda assim
original.
Seguindo uma trajetória cronológica, a exposição A cor do silêncio tem início com os primeiros trabalhos do jovem pintor. Paisagem Urbana (1937) e a icônica Autorretrato
(1938) são deste período. Com forte influência dos movimentos
parisienses e do naturalismo com acentos impressionistas, as telas já
enunciavam uma das principais características de sua obra: enquanto
predominava o realismo expressionista de cunho nacionalista de artistas
como Di Cavalcanti e Portinari, ele mantinha-se fiel às suas
predileções.
Nos
anos 1940, Dacosta volta-se à pesquisa estrutural da imagem, trilhando
uma fase de descobertas. Neste período, interessa-se pelas figuras
longilíneas e pela metafísica de De Chirico, cuja influência é nítida em
trabalhos como Ciclistas (1941) e Carrossel (1945).
Ao contrário do artista italiano, entretanto, as telas do brasileiro
são de clima solar, não associado a angústias, mas ao lúdico, tema
constante ao longo de sua vida.
Após
uma temporada de viagens e estudos nos Estados Unidos e na Europa, o
pintor retorna ao Brasil no final dos anos 1940 e, num primeiro momento,
retoma as figuras alongadas que já realizava anteriormente. Em seguida,
inicia uma fase geométrica, cheia de oposições. "O claro é contraposto
ao escuro, a frente é também perfil, a luz se define pela sombra. O
artista distorce cabeças, decupa rostos e corpos em triângulos e
círculos e, a partir deles, elabora contrastes marcados por linhas
estruturais ortogonais ou curvilíneas, numa construção quase musical.
Em
1952, já casado com a também pintora Maria Leontina, o artista parte
para (de)composições geométrico-figurativas. É dessa a série com a qual
recebeu o prêmio na Bienal de 1955. Em Sobre a Horizontal
(1954), retrata uma natureza-morta apenas entrevista, construída com
traços ortogonais, decomposta em figuras geométricas e pintada a
têmpera, em azuis, ocres suaves e brancos luminosos, sobre intenso fundo
negro.
Pouco
a pouco, Dacosta abandona as alusões figurativas, alcançando um
construtivismo lírico e singular, cada vez mais conciso. Trabalhos como Em Branco (1956), Em Roxo (1957) e Em Verde
(1958) pertencem a este momento e mostram a precisão compositiva e
o apurado cromatismo do pintor. A crítica considera essa fase como o
ápice de sua carreira. O artista, entretanto, não compartilhava dessa
opinião. "Ele nunca foi seduzido pelo movimento concretista e nem mesmo
pelos neoconcretos, era fiel apenas a ele mesmo e à sua busca interior",
pontua Denise Mattar.
O
artista toma então um caminho de regresso à figuração, processo de
retomada que se estendeu pelos anos 1960. As linhas retas começam a se
flexibilizar e as curvas se insinuam ao espectador, a exemplo de Mulher com o rosto apoiado sobre a mão, Figuras (década 1950) e do conjunto de quatro obras intituladas Figura com Chapéu (1958 - 1961).
No final da década de 1960, e até seus últimos anos, o artista realiza as sensuais Vênus, sempre marcadas por linhas sinuosas, criadas pelo desenho livre e sem amarras recém-descoberto. Figura e Pássaro, 1964, Vênus e Pássaro, 1969/70, Figura, 1964, são exemplos dessa fase, que se tornou um sucesso no iniciante mercado de arte da época.
Serviço:
Dacosta - A cor do silêncio, individual de Milton DacostaLocal: Galeria Almeida e DaleEndereço: Rua Caconde, 152 | Jardim Paulista – São PauloAbertura: 18 de agosto, sábado, das 11h às 14hPeríodo expositivo: de 20 de agosto a 24 de novembroVisitação: de segunda a sexta, das 10h às 19hTelefone: 11 3882-7120Entrada gratuita
A4&Holofote

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