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Em agosto, Cia. Do Liquidificador estreia espetáculo infantil “Vida de Pirata” no CCSP

Com elementos de circo, commedia dell’arte e muita música, a peça propõe uma reflexão sobre “para onde vão os sonhos?” na passagem da infância para a vida adulta
Foto: Rafael Marques
No dia 11 de agosto (sábado), às 16h, a Cia do Liquidificador estreia o espetáculo infantil “Vida de Pirata”, no Centro Cultural São Paulo, que fica em cartaz até 16 de setembro, sempre aos sábados e domingos. No palco, uma capitã pirata e sua tripulação vivem muitas aventuras a bordo de seu navio. Tempestades, monstros marítimos, intrigas, caça ao tesouro e dois ratos malandros recheiam essa história sobre amizade, lealdade e viver em busca dos seus sonhos, tudo isso permeado com performances de circo, música e commedia dell’arte. Diante da percepção de que a sociedade vive um momento urgente para discutir o tipo de adulto que nos tornamos e “o tipo” de criança que estamos direcionando para a vida adulta, o espetáculo infantil “Vida de Pirata” propõe uma reflexão sobre como o mercado de trabalho e a sociedade de consumo aniquilaram o sonho.
Uma pesquisa realizada no ano passado (2017) pelo Instituto Locomotiva identificou que 56% dos trabalhadores brasileiros se consideram infelizes no trabalho. Em relação ao resto do mundo, o brasileiro é um dos que possui a maior carga horária de trabalho, em média, 43,5 horas por semana, ou 8,7 horas por dia: mais do em que países como Dinamarca, França e Estados Unidos, em que a média semanal é, respectivamente, 38,3, 40,5 e 43 horas. Ou seja, mais da metade da população passa mais de 1/3 do seu dia fazendo algo que não lhe traz felicidade. A “normalização” dessa forma de encarar a vida recai sobre as crianças que enquanto os pais estão no trabalho, elas precisam ter sua agenda preenchida, seja por escola integral ou outras atividades. Estas atividades também ambicionam um único propósito: a preparação para o mercado de trabalho na vida adulta.
Essas ações na vida das crianças já trazem consequências: Em estudo publicado em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que o transtorno depressivo é a principal causa de incapacidade de realização das tarefas do dia a dia entre jovens de 10 a 19 anos. No Brasil, não é diferente. Embora não haja dados estatísticos, estima-se que a incidência do distúrbio gire em torno de 1 a 3% da população entre 0 a 17 anos, o que significa, mais ou menos, 8 milhões de jovens. Apesar de existirem diversos fatores para justificar esse índice, o estilo de vida que levamos pode favorecer a manifestação da doença, como explica Marco Antônio Bessa, psiquiatra do Hospital Pequeno Príncipe (PR): “Muitas crianças estão com a agenda lotada de compromissos, o que eleva o grau de estresse, dormem mais tarde, ficam fechadas em ambientes como apartamentos e shoppings, usam aparelhos eletrônicos excessivamente, sob risco de aumento de ansiedade e restrição do contato social, e convivem menos com seus pais”.
Mas e o momento de “ser criança”? E a hora de brincar e sonhar? Por que ela acaba? Quando que nós, crianças e adultos, podemos nos aventurar em busca do nosso tesouro pessoal? Quando deixamos de lado nossos sonhos e nos “focamos” apenas em sobreviver em vez de viver? Esses são alguns questionamentos que "Vida de Pirata!" pretende provocar nos adultos e nas crianças. A arte, em especial o teatro, é uma experiência de reflexão sobre as questões da cultura e da sociedade, e o “faz de conta” é uma proposta que permite apresentar esses temas densos de maneira lúdica. Um espaço ainda preservado para que se possa sonhar e brincar. Ao apresentar personagens que vivem à margem da sociedade, em busca de seus sonhos mesmo sob dificuldades, pretendemos recuperar no adulto que está assistindo o sentimento de quando imaginava que tudo era possível, e mostrar para as crianças que existem outras maneiras de se viver e de se relacionar com o mundo.

Sinopse
Uma capitã pirata e sua tripulação vivem muitas aventuras a bordo de seu navio. Tempestades, monstros marítimos, intrigas entre a tripulação, caça ao tesouro e dois ratos malandros recheiam essa história sobre amizade, lealdade e viver em busca dos seus sonhos.

Ficha Técnica
Autor e Diretor: Fábio Spila
Produção: Fábio Spila e Letícia Calvosa
Música Original: Daniel Assad e Fábio Spila
Direção Musical: Daniel Assad
Preparação de Circo e Coreografias: Veronica R. Piccini
Cenografia e Adereços: Mauro Martorelli
Bonecos: André Mello
Figurino: Henrique Athayde
Video-Mapping: Vitor Massao
Elenco: Cris Socci, Daniel Assad, Tatiana Abrantes, Letícia Calvosa, Renato Mescoki
Imprensa: Sem Paredes Cultural

Sobre a Cia. Do Liquidificador
Criada no início de 2013, a Cia. do Liquidificador usufrui de todas as possibilidades cênicas em suas atividades, em especial as artes circenses, a contação de histórias, o teatro físico, a dança e a música. Como fio condutor da pesquisa, o grupo propõe o estudo de questões contemporâneas, contrapondo histórias de tradição oral aos clássicos da literatura como forma de debater a evolução da humanidade, a transformação social e a metamorfose da própria arte. Desde então, a Cia. mantém um treinamento semanal intensivo, com aulas de dança, circo e canto, além de encontros para pesquisas, que vem resultando em intervenções, contações de histórias e espetáculos em diversos eventos e espaços culturais, como Virada Cultural de São Paulo, FLIP, Bienal do Livro de São Paulo, além de SESCs, Centros Culturais, Bibliotecas, Parques e Praças.

Serviço
Espetáculo infantil “Vida de Pirata”
Data: 11/08 a 16/09, sábados e domingos
Horário: 16h
Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 - Liberdade
Ingresso: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia)
Estacionamento: Não possui
Acessibilidade: Acesso para cadeira de rodas
Lugares: 321
Público: Livre


Assessoria de Imprensa – Sem Paredes Cultural 
Paula Simões

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