Em cartaz até 22 de julho no Sesc Belenzinho, mostra YOYO – Tudo que vai, volta apresenta trabalhos de artistas como Dudi Maia Rosa, Guto Lacaz, Regina Silveira e Sandra Cinto
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| Raul Mourão | Gelo #4, 2018 |
Enxergar
a Arte como parte da vida e do cotidiano. Entender que para se
aproximar dela não é necessário conhecimento ou técnicas artísticas
prévias, mas uma disposição para apreender o mundo. Enxergá-la em cada
gesto, cada brincadeira, cada pensamento. E, principalmente, entender
que as crianças são público de arte e que as exposições devem buscar
acolhê-las e aproximá-las de seu universo. São as máximas por trás de YOYO - Tudo que vai, volta,
mostra de arte contemporânea voltada para o público infantil que o Sesc
Belenzinho apresenta até 22 de julho – uma excelente opção de passeio
para as férias escolares de julho.
A
exposição é uma coletiva de nove artistas contemporâneos em atividade,
que criaram ou identificaram em sua produção obras que valorizam o
diálogo amplo e direto com as crianças. Curado por Ricardo Ribenboim e
idealizado por Liana Mazer, editora da revista infantil independente
YOYO, em parceria com Renata Rödel, Diretora Adjunta da Base7 Projetos
Culturais, o projeto conta ainda com uma série de atividades realizadas
pela equipe de educadores do Núcleo Socioeducativo do Sesc Belenzinho.
"Para
o Sesc, avançar mais além de concepções funcionalistas da arte
significa abrir espaços a maneiras diversas de pensar e agir e uma
disposição para correr riscos, surpreendendo-se com novos olhares e
maneiras de interagir. E sabendo da importância de vivências
passadas na construção de caminhos futuros, estimular outras idas e
vindas neste universo", afirma Danilo Santos de Miranda, Diretor
Regional do Sesc São Paulo.
Na
interlocução com os artistas, foram selecionados trabalhos e
instalações que podem ser experimentadas das mais variadas formas. O
movimento lança-se então como fio condutor da exposição, e a interação
com o público é a forma de impulsioná-lo. Segundo Ricardo Ribenboim, "Os
significados da exposição se movimentam a partir da interação. Você
gira uma manivela, por exemplo, e vê a obra acontecer diante de si".
Dudi
Maia Rosa, Franklin Cassaro, Gisela Motta, Guto Lacaz, Leandro Lima,
Lia Chaia, Raul Mourão, Regina Silveira e Sandra Cinto escancaram ao
público o funcionamento de seus trabalhos e expõem suas inspirações,
sugerindo uma discussão franca sobre o fazer artístico. São artistas
contemporâneos, de diversas idades e com experiências diferentes. O que
os une é a disponibilidade em participar de um desafio que é criar e
pensar seus trabalhos em diálogo com um público específico, as crianças.
"Partilhamos
a crença de que não existe uma única linguagem indicada para o público
infantil e que a investigação de formas de contar, mostrar e de fazer
é comum entre as crianças e os artistas", afirma Ribenboim. "Além
disso, acreditamos que intensificar nossa experiência do mundo e nos
fazer refletir sobre ela é uma das funções da arte nos dias de hoje, que
pode ser plenamente usufruída pelo público infantil", completa.
Na
exposição, Dudi Maia Rosa, por exemplo, cria uma instalação com
ampliações de imagens de céus com nuvens estáticas e a partir das quais
convida as crianças a registrarem, tal como ele, os frutos da imaginação
em desenhos num papel. Já a dupla Gisela Motta e Leandro Lima
transforma o mais fundamental acontecimento da vida em arte: sob a
forma de inúmeros balões, cria um grande e múltiplo pulmão, que infla e
desinfla no compasso da respiração.
A
instalação de Regina Silveira é concebida como uma obra em progresso,
ou seja, ela continua sendo feita mesmo depois da abertura da exposição.
Em parceria com as crianças, a artista brinca com o desenho de sombras
de objetos comuns. As crianças e a artista fixam essas imagens
pendurando-as na parede.
Os
trabalhos de Guto Lacaz e Sandra Cinto acontecem quando manivelas são
acionadas. Bondinhos correm pelo espaço e um mar revolto se agita,
respectivamente. Dois outros artistas, Raul Mourão e Franklin
Cassaro, exploram o movimento ainda de outra forma, fazendo ver como
seus trabalhos assumem aspectos diferentes ao se tornarem dinâmicos.
Ponto
chave da curadoria, a interação entre aquilo que está exposto e o
público foi buscada de diversas maneiras: seja pela interação direta com
as obras, seja pela proposição de uma série de oficinas, que visam
possibilitar aos visitantes uma livre aproximação das crianças com o
fazer artístico. Nesse contexto, ganha destaque o papel do Núcleo
Socioeducativo do Sesc Belenzinho.
As atividades concebidas pelo Educativo tomam como ponto de partida a reflexão sobre o lugar que ocupamos no mundo. Em YOYO - Tudo que vai, volta,
as narrativas criadas na mediação contextualizam os trabalhos através
de poéticas que, além de emprestar fantasia à realidade dada, alarga os
limites sensíveis de cada indivíduo, imprimindo uma dimensão cultural,
social e política inesperada às mesmas obras. Ainda foi impressa uma
edição especial da revista YOYO, com atividades e brincadeiras sobre
arte contemporânea, além de entrevistas com os artistas, realizadas por
crianças.
"Sem
dúvida alguma, a parceria com o Sesc São Paulo amplia a dimensão
sociocultural do projeto, que ganha reverberações várias a partir de um
olhar dedicado às experiências vividas pelo público e aqui encaradas
como legítimos procedimentos artísticos. Nesse sentido, é fundamental
estarmos lado a lado de um dos espaços mais atuantes do Brasil,
instituição que ao longo de sua história sempre teve uma forma franca e
respeitosa de lidar com a diversidade de seu público, atuando na
vanguarda das propostas expositivas", afirma Ribenboim.
Revista YOYOPonto
de partida da exposição, YOYO é uma revista colecionável, que procura
aguçar a curiosidade e ampliar o universo cultural das crianças por meio
de uma série de atividades, criadas em colaboração com ilustradores,
designers, escritores e fotógrafos.
Seu
conteúdo é sempre criado a partir de um tema, escolhido pela
possibilidade de criar conexões com diversas áreas do conhecimento, tais
como Artes Plásticas, Música, Cinema, Literatura, Dança, Geografia e
idiomas, além de questões ligadas à cidadania, sustentabilidade.
A
revista YOYO ganha edição especial para a mostra, com direção gráfica
de Kiko Farkas. A publicação estará disponível aos visitantes
gratuitamente e servirá como material de mediação entre o público e a
exposição. Na revista, as crianças descobrirão um pouco sobre o
processo de criação de cada um dos trabalhos a partir do olhar de outras
crianças, responsáveis por entrevistar os artistas e apresentá-los ao
grande público. A publicação também inclui brincadeiras criadas pelos
próprios artistas, que dialogam com seus trabalhos, e sugestão de
atividades que extrapolam o espaço expositivo. Para além disso, o
público poderá interagir com as obras, e sobre elas refletir, fazendo
conexões com a vida cotidiana.
"O
projeto, como um todo, tem o intuito de aproximar as crianças das
diversas linguagens e expressões artísticas contemporâneas ampliando
assim suas experiências com o universo da arte", afirmam Liana
Mazer e Ricardo Ribenboim.
ServiçoYOYO – Tudo que vai, voltaLocal: Sesc BelenzinhoVisitação até 22 de julho de 2018. De terça a sábado, das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 19h30Endereço: R. Padre Adelino, 1000 | Belenzinhowww.sescsp.org.br/Entrada gratuita
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