Mostra em parceria com a UQ! Editions traz ao público 60 relevos realizados pelo poeta e artista
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| Sem título, 2014, Ferreira Gullar |
"As
coisas na vida acontecem por acaso. Eu embarco nelas ou não", escreveu
certa vez o poeta Ferreira Gullar. Os relevos, nascidos do acaso,
habitavam um universo particular do artista. A beleza e o colorido das
obras que criou encantam o olhar: há um surpreendente contorcionismo de
verso e reverso que emerge das formas. São esses os trabalhos que o
público poderá conferir em Relevos, exposição organizada pela Dan Galeria em parceria com a UQ! Editions, entre 9 de junho e 14 de julho.
A mostra dá continuidade ao lançamento de A Revelação do Avesso,
livro de arte de edição limitada lançado em 2014, no mesmo espaço. A
obra trazia 60 relevos, de três exemplares cada, reproduzidos em aço e
acompanhados de um livro com poemas do próprio Gullar. A edição
esgotou-se rapidamente. O autor do Manifesto Neoconcreto (1959),
que lançou as obras de Lygia Clark e Helio Oiticica, estava aos 84 anos
de idade, na plenitude do viço e do frescor criativo. Agora os
originais em papel destes 60 relevos, nunca mostrados antes, são
apresentados pela primeira vez.
As
colagens em relevo de Gullar nasceram, de fato, do acaso. Segundo o
próprio autor, ele já os fazia há tempos. Divertia-se em meio ao
processo de escolhas de cores e surpreendia-se com as formas inesperadas
que surgiam enquanto recortava o papel. Em determinado dia, colocou os
recortes sobre um desenho para em seguida colá-los. A cena foi
interrompida por seu gato, que estapeou abruptamente as folhas de
papel, desarrumando os recortes. "Colei-os tal como estavam: disso
resultou que o desenho era a ordem e os recortes coloridos, a desordem",
escreveu no texto de A Revelação do Avesso.
Poeta
e crítico, Gullar nunca deixou de ser artista - à sua maneira, como ele
explica no mesmo texto: "Me convenceram, alegando que não importava se
eu sou ou não artista plástico; importava é que as colagens em relevo
eram bonitas e originais. Tomei-me de entusiasmo e continuei a produzir
estas colagens em relevo, que me divertem muito. Se são arte ou não,
pouco importa, já que não me pretendo artista mesmo".
Lançada
pela UQ!, editora de Leonel Kaz e Lucia Bertazzo, a edição, hoje, é
considerada uma raridade entre colecionadores e entusiastas da arte.
"Gullar era ético, estético, poético... e muito divertido. Não
economizava nada, nem em integridade, nem em gestos ou palavras com que a
expressamos. Ele dizia que 'a vida não basta', por isso precisava ser
reinventada a cada dia. Dizia também que a criação vinha de um espanto. E
do entusiasmo que colocava em tudo. Estes relevos, nascidos do
entusiasmo e do acaso, são aqui apresentados como o que são: marcas
significativas para a história da arte brasileira", pontua o editor.
SOBRE O ARTISTA
Ferreira
Gullar é o pseudônimo de José Ribamar Ferreira, poeta, dramaturgo,
tradutor e crítico de artes plásticas nascido em 1930, em São Luís,
Maranhão. Foi um dos grandes nomes da fase inicial do movimento
concretista, tendo participado da 1ª Exposição Nacional de Arte
Concreta, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), em
1956.
No ano seguinte, rompe com os concretistas e, em 1959, redige o Manifesto Neoconcreto,
defendendo a experimentação nas artes e destacando o papel da intuição
em sua criação, em contraponto ao racionalismo acentuado do grupo
concreto de São Paulo. Ao novo movimento, juntam-se figuras como Hélio
Oiticica, Lygia Clark e Franz Weissmann.
Um dos mais notáveis poetas brasileiros, seu livro Poema Sujo (1976) é elencado por muitos críticos como sua obra prima. Escreveu ainda Barulhos (1987) e Muitas Vozes (1999), entre dezenas de outros títulos.
Foi também crítico de arte e publicou inúmeros livros como Argumentação contra a Morte da Arte (1982), Sobre Arte (1983) e Etapas da Arte Contemporânea: Do Cubismo à Arte Neoconcreta (1998). Gullar nos deixou em 2016.
Serviço:Local: DAN GALERIAEndereço: Rua Estados Unidos, 1638 Abertura: 9 de junho, das 10h às 14h (somente para convidados)Visitação: de 11 de junho até 14 de julho Horários: Seg. a sex. das 10h às 19h - sáb. das 10h às 13h Entrada: Gratuita Telefone: 11 3083-4600
Assessoria de imprensa
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